quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Entrevista – Mercedes Budallés: Apesar do olhar conservador eclesial, ninguém acabará com o amor à Igreja libertadora



Rogéria Araújo
Jornalista da Adital
Adital
"O que o Espírito diz às Igrejas?”. É com essa provocação que acontece nos próximos dias 30, 31 de agosto e 1º de setembro, o Simpósio Teológico sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II e os 40 anos da Teologia da Libertação. O evento acontece na cidade de Fortaleza, capital do Ceará e traz uma discussão importante sobre dois marcos para as igrejas brasileiras e latino-americanas.
A Adital conversou com a teóloga Mercedes Budallés, que estará participando do evento com a palestra "Como ser igreja-fermento de emancipação humana dentro de uma igreja-massa de eventos midiáticos”.
"E ainda que seja muito conservador o olhar e agir eclesial atualmente, em certos setores da Igreja, ninguém poderá acabar com a teimosia dos pequenos, com o seu amor a essa Igreja libertadora que lhes dá reconhecimento e dignidade”, afirmou em entrevista.

Adital – São 50 anos do Concílio Vaticano II e 40 anos da Teologia da Libertação. Como a senhora vê a trajetória das Igrejas nos dias atuais tendo como referência esses dois marcos?
Mercedes Budallés – Fazer memória, re(cor)dar ou passar pelo coração, faz bem. Mais ainda, aos que somos de antes, de durante e de depois do Concílio. Por isso, especialmente este ano, agradecemos a Deus, o Pentecostes que o Vaticano II foi para a Igreja. O Concílio foi uma nova vinda do Espírito sobre a Igreja, umkairós, um tempo de salvação. Para minha geração foi uma época de grandes mudanças visíveis na Igreja. Os jovens entusiasmados, acolhíamos as mudanças, sem saber muito bem o que acontecia. De fato, estávamos presenciando a passagem de uma Igreja da cristandade, triunfalista, centrada na hierarquia, com todo o poder na sua mão e por isso, Igreja dominadora... à uma Igreja, mistério (LG 1), povo de Deus (LG II), servidora especialmente dos mais pobres, semelhante à Igreja das primeiras comunidades cristãs e aberta aos novos sinais dos tempos. (GS 4; 11; 44).
O Concílio abriu as janelas da Igreja "para que possamos olhar para fora, e para que as pessoas possam olhar para dentro" como afirmava Joao XXIII. Sim, aconteceu um novo Pentecostes!
Entretanto, agora, eu mesma com a experiência dos anos e como teóloga, reconheço que já não sou tão otimista com o convite de olhar ou tentar olhar para dentro da Igreja. Não avançamos muito em questões que o mundo moderno nos questiona. O Concílio trouxe grandes mudanças, porém, não tratou dos temas já candentes naquela época, como o celibato sacerdotal e a falta de ministros ordenados. Ignorou o papel da mulher na sociedade e na Igreja e a participação de leigos e leigas nas responsabilidades ministeriais. O poder e função da cúria romana ficaram intocáveis, o que deu lugar a retrocessos. Assim, por exemplo, o Sínodo dos Bispos de 1985, convocado por João Paulo II, defendeu a identidade do Vaticano II, porém substituiu vários conceitos importantes afirmados nos documentos conciliares tais como Igreja ‘povo de Deus’ da Lumen Gentium por uma Igreja apresentada como ‘corpo de Cristo’; a mudança da palavra ‘pluralismo’por ‘pluriformidade’. E ainda, certos sintomas como a repetida importância dada à ‘santidade’ na Igreja como se a Gaudium et Spes fosse humana demais.
Adital - Os Documentos do Concílio sinalizaram uma Igreja mais próxima dos pobres, dos excluídos, e foi visto com muito entusiasmo pelos setores, digamos, mais progressistas da Igreja. Este sentimento ainda permanece?
Mercedes Budallés - Já na abertura do Concílio Vaticano II, o dia 11 de Setembro de 1962, o Papa João XXIII afirmou publicamente que "a Igreja sente o dever de assumir sua responsabilidade diante das exigências e necessidades atuais dos povos...” E que "...diante dos países subdesenvolvidos, a Igreja se apresenta tal como é, e quer ser, a igreja de todos, mas, particularmente, a igreja dos pobres."
O fato de que os grandes documentos do Concílio Vaticano II afirmaram que a Igreja é povo de Deus, na Constituição Dogmática Lumen Gentium e comprometida com a vida, na Constituição Pastoral Gaudium et spes,declaravam que o pobres, maioria do povo de Deus e sua vida sofrida, eram as opções fundamentais do novo momento da Igreja, ao igual que foram as opções de Jesus.
Afortunadamente para nós, na América Latina isso foi bem entendido e assumido. Em grande parte, graças a bispos como Dom Manuel Larrain, do Chile, e nosso querido dom Helder Camara, daqui do Brasil, que organizaram uma contínua formação dos bispos latinos com os melhores teólogos da época, o Vaticano II trouxe uma mudança grande.
Durante o Concílio Vaticano II houve um famoso grupo de bispos, provenientes de todos os continentes, que se encontrava, a cada sexta-feira, para refletir sobre a missão da Igreja junto aos pobres e a necessidade de a Igreja ser sinal do Cristo pobre. Ao final do Concílio, no dia 16 de novembro de 1965, quarenta bispos de várias partes do mundo reuniram-se numa catacumba em Roma e assinaram o Pacto das Catacumbas. Cada um assumia o compromisso de viver pobre, rejeitar as insígnias, símbolos e privilégios do poder e a colocar os prediletos de Deus no centro de seu ministério episcopal, explicitando assim a evangélica opção pelos pobres.
Na América latina, o Celam, com aprovação de Paulo VI, bem perto do fim do Concílio, em 1968, convocou a assembleia de Medellin que tirou do Concílio conclusões práticas como a opção preferencial pelos pobres e a legitimação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) como uma realidade onde os leigos e leigas, a maioria pobre, eram reconhecidas, sujeitos da sua fé. A grande mudança já estava acontecendo e ainda foi reafirmada na Conferência de Puebla e mais recentemente na V Conferência em Aparecida.
Este sentimento ainda permanece, porque na verdade foi a opção de Jesus: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisa aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).
Adital – Sua palestra no Simpósio Teológico abordará assuntos pertinentes. Afinal, como se (re) configura o jeito de ser e viver Igreja mais comprometida socialmente com as comunidades e seus problemas diante de um outro contexto que cada vez se firma mais, esse da "Igreja-massa”?
Mercedes Budallés - Pediram-me falar sobre as perspectivas que têm, hoje, as "minorias abrâmicas” no interior da Igreja Católica para exercerem sua função de "fermento na massa”.
Dom Helder Camara chamava de "minorias abraâmicas" aquelas minorias frágeis e impotentes, mesmo aparentemente estéreis. Pessoas que esperam, com uma visão cheia de otimismo e com firme compromisso, a construção de uma sociedade justa e fraterna, já que essa é sua profunda aspiração.
Entramos na questão fermento-massa. Eu sempre disse ter aprendido uma nova teologia na minha vida com os mais pobres. Por isso, sinto a obrigação de trazer memórias: Preparando o 9º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que aconteceu em São Luiz (MA), em 1997, com o tema: "CEBs, Vida e Esperança nas Massas”, fui convidada assessorar uma Assembleia de CEBs na Arquidiocese de Goiânia. De entrada perguntei aos participantes: Que é massa para vocês? Um pedreiro explicou com detalhe o que é uma boa massa para a construção, mistura de cimento, areia, água... Uma boleira falou da massa para fazer um bom bolo. Teve quem falou de organizar uma ‘pamonhada’, de como ralar o milho, como temperar a massa etc. Dona Francisca América, mulher corajosa e firme na caminhada das CEBs em Goiânia, até hoje, gritou: A massa é algo que não está pronto!
De fato, a massa é, e sempre será, algo que não está pronto. Por isso, eu estou mais preocupada com o fermento, com a pequena semente... Os frágeis, os pequenos, as minorias abraâmicas, aquelas da margem, são, segundo Evangelho, as primeiras no Reino!
Devemos nos inquietar com a massa, sim. Porém, se "pelos frutos os conhecereis” (Mt 7,16 ) prestemos atenção ao que a experiência nos diz: a maior parte das grandes concentrações e manifestações de fé de massa acontece graças aos meios de comunicação social que são os que sustentam o sistema vigente, um sistema econômico neoliberal focando o sucesso.
Os programas religiosos propagam direta ou indiretamente a teologia da prosperidade e geram igrejas massificadas, individualistas, cheias de emoções passageiras e sem nenhum compromisso com a transformação da sociedade. Em minha opinião, fomentar um cristianismo esclarecido e atuante diante dos grandes problemas que assolam a nossa sociedade, só pode se fazer desde baixo, desde as minorias, com os empobrecidos. A massa é algo que não está pronta. Cuidemos do fermento, dos pequenos. Como Jesus fez!
Adital - Que contribuições específicas podem dar os grupos de reflexão bíblica e de teologia feminista, no nosso contexto?
Mercedes Budallés - A Constituição DEI VERBUM foi o documento que respondeu a um dos objetivos do Concílio Vaticano II que era difundir a Palavra de Deus, em cumprimento ao desejo de Jesus que disse "...anunciai a Boa Notícia a toda criatura” (Mc 16,15).
Penso que a partir daqui deu-se uma verdadeira revolução na leitura e interpretação bíblica. O importante é a vida do povo de Deus! Não temos que procurar na Bíblia verdades científicas ou históricas, mas a verdade sobre Deus e sobre o sentido da vida e do mundo (DV 11). De acordo com a DEI VERBUM, a Palavra de Deus suscita a fé e convoca a comunidade. Foi a fé do povo de Deus que acolheu e guardou esta Palavra para indicar o caminho da nossa salvação. E foi Jesus quem enviou o Espírito para nos introduzir na plenitude desta verdade (DV 20).
É o que fizemos, especialmente na América Latina, lendo e interpretando a Bíblia em favor da vida, animando uma leitura em comunidade. Com isso, constatamos a importância das Comunidades Eclesiais de Base com seu jeito de ser Igreja e nelas a leitura popular da Bíblia, que especialmente o Centro de Estudos Bíblicos, o CEBI, realiza desde faz muitos anos somando com outros centros de aprofundamento bíblico numa ótica libertadora.
Como teóloga feminista, opto por aprofundar uma teologia de gênero, de classe, de etnia (de raça) e de geração. Uma leitura politica! Muito mais abrangente que a luta por recuperar o lugar das mulheres na Igreja. Trata-se de recuperar o sujeito humano na sociedade seja mulher, jovem, criança, idoso, e ainda o mais pobre, o negro.... já que dentro da Teologia da Libertação, fazemos uma opção por ‘outra teologia’, aquela que proclamava a Igreja do Vaticano II, como foi entendida na América Latina, a Igreja de Medellin, de Puebla e até a de Aparecida... Uma Igreja inclusiva onde todas as pessoas tenham seu espaço: Mulheres, homens, pobres, menos pobres, índios, negros e brancos. Crianças, jovens, adultos, idosos... Todas e todos com voz, participantes, dialogantes... A serviço do Reino de Deus!
Adital – Há esperança e fé num novo caminhar mesmo sob o olhar conservador eclesial?
Mercedes Budallés -Tive a graça de Deus de morar e trabalhar pastoralmente na Prelazia de São Felix do Araguaia (MT). Eu sei que outra Igreja é possível, porque já vivi nela! Com muitos limites e problemas. Mas, o compromisso evangélico, a pobreza real entre nós, agentes de pastoral, a vida de comunidade partilhada com os mais pobres, nos dava a liberdade de quem experimenta já o Reino de Deus aqui na terra.
E ainda que seja muito conservador o olhar e agir eclesial atualmente, em certos setores da Igreja, ninguém poderá acabar com a teimosia dos pequenos, com o seu amor a essa Igreja libertadora que lhes dá reconhecimento e dignidade.


"A Igreja deve ser instrumento de salvação das formas de opressão e dominação" Entrevista com Francisco Aquino Junior



Desde o dia 30 de agosto, o Centro Pastoral Maria Mãe da Igreja, em Fortaleza, Ceará, sedia o Simpósio 50 anos do Concílio Vaticano e 40 anos da Teologia da Libertação. O encontro – que vai até o dia 1º de setembro – lança uma discussão sobre esses dois momentos importantes para as igrejas cristãs e seus desdobramentos nos dias atuais.

Um dos convidados é o padre Francisco Aquino Junior, autor do livro Teoria Teológica – Práxis teologal – sobre o método da Teologia da Libertação.
A entrevista é da Adital, 30-08-2012.
Eis a entrevista.

Muita gente acha que a Teologia da Libertação (TdL) é coisa do passado. Parte da geração mais jovem nem sabe o que isso... Por que um livro "sobre o método da TdL”?
A teologia é a inteligência da experiência de Deus. Na medida em que o Deus de Jesus Cristo e sua experiência histórica têm a ver com a libertação dos pobres e oprimidos, como se pode ver na Sagrada Escritura, a teologia tem que ser teologia da libertação: Inteligência da presença e ação de Deus nos mais diversos processos de libertação e inteligência a serviço desses mesmos e de outros processos de libertação. Daí a importância, necessidade e atualidade da reflexão sobre o método da teologia da libertação. Isso se torna ainda mais relevante no atual contexto eclesial, onde a Igreja parece mais preocupada com seus interesses e privilégios institucionais que com a salvação/libertação da humanidade sofredora – coração do Evangelho de Jesus Cristo.

Em poucas palavras: O que é teologia da libertação? Quais as suas principais características?

É uma teologia voltada para aquilo que constitui o núcleo da experiência bíblica de Deus: a salvação/libertação dos pobres e oprimidos. Segundo Gustavo Gutiérrez, na teologia da libertação há "duas intuições centrais que foram as primeiras cronologicamente e que continuam constituindo sua coluna vertebral”: primado da práxis e perspectiva do pobre/oprimido. A revelação e a fé de que trata a teologia é ação ou interação entre Deus e seu povo (primado da práxis) e ação ou interação salvífico-libertadora (perspectiva do pobre/oprimido).

Parece haver diferenças e mesmo divergências entre os teólogos da libertação sobre a TdL e sobre o método dessa teologia...Sem dúvida. E não poderia ser diferente em uma teologia que procurar pensar a experiência de Deus em sua totalidade e nos mais diferentes contextos. Essas diferenças têm a ver com a diversidade de enfoques ou perspectivas (econômico, gênero, ecologia etc.), de mediações práticas (CEBs, movimento social etc) e teóricas (ciências sociais, antropologia etc.), de temas/problemas (sociedade, igreja, Jesus Cristo etc.). Mas há um ponto crucial e polêmico que diz respeito à compreensão da TdL e de seu método. Enquanto para alguns, a TdL é uma teologia das questões sociais (é a tese básica de Clodovis Boff), para a grande maioria dos teólogos, a TdL é uma teologia que procura pensar a experiência de Deus em sua totalidade a partir do núcleo fundamental da experiência bíblica de Deus: salvação/libertação dos pobres/oprimidos.

Depois de 40 anos, o que mudou na TdL?

Houve uma ampliação do horizonte da libertação e, consequentemente, das mediações práticas e teóricas dos processos de libertação. Se nos primeiros anos se deu muita ênfase às dimensões econômica e política da opressão e da libertação, a partir dos anos 90 se insiste muito em outras formas e em outros processos de opressão e libertação: gênero, etnia, cultura, ecologia, religião etc. Passa-se a falar cada vez mais de teologias da libertação: feminista, negra, indígena, ecológica, das religiões e, mais recentemente, tem-se falado também de teologia gay.

Estamos celebrando 50 anos do Concílio e 40 anos da TdL. Que relação existe entre o Concílio e a TdL?

Não se pode pensar a TdL sem o Concílio Vaticano II, embora tampouco se possa entendê-la simplesmente a partir dele. Se o Concílio teve o mérito incalculável de descentrar a Igreja, de abri-la e lançá-la ao mundo, a TdL avançou nas trilhas abertas pelo Concílio, explicitando que mundo era esse (mundo estruturalmente injusto e opressor) e determinando, a partir da fé, o lugar que a Igreja deve ocupar nesse mundo (mundo dos pobres e oprimidos).

Por que se fala tanto do Concílio e tão pouco da "Igreja dos pobres”, de Medellín, da TdL, inclusive na América Latina e, concretamente, no Brasil?
Isso é curioso... Mesmo o tema da Igreja dos pobres proposto pelo papa João XXIII tem sido completamente silenciado nas comemorações dos 50 anos do Concílio. Basta ver os títulos de livros e artigos publicados e os temas das conferências nos congressos, simpósios etc. Talvez porque os que estão discutindo o Concílio estejam mais preocupados com seus interesses e problemas (saber, poder etc.) do que com os dramas da humanidade sofredora... Não por acaso o tema não teve muita repercussão no Concílio – mais voltado para os problemas e preocupações das igrejas do primeiro mundo... Evangelicamente, parece um mau sinal: desvio do núcleo do Evangelho de Jesus Cristo.

Muita gente fala que a Igreja caminha atualmente numa direção muito diferente, quando não contrária, à direção tomada e proposta pelo Concílio e, sobretudo, pela TdL. O que você acha?
Tenho a mesma impressão, pelo menos em relação ao conjunto da Igreja e, sobretudo, com relação aos bispos e padres. Basta ver as prioridades pastorais das dioceses e paróquias e mesmo as últimas diretrizes da ação evangelizadora da igreja no Brasil. Dá a impressão que os problemas do mundo, sobretudo dos pobres e oprimidos, são completamente estranhos à vida da Igreja que parece ter coisas mais "importantes” e "urgentes” para cuidar (número de fieis, templos, vestes litúrgicas, corais, coroinhas, devoções, missão popular etc). Se o Concílio abriu e descentrou a Igreja de si mesma e a TdL a colocou a serviço da humanidade sofredora, a conjuntura atual para ir numa direção contrária, concentrando todas as suas preocupações e "urgências” pastorais na vida interna da Igreja. Mais que de uma volta à grande disciplina, é preciso falar hoje de uma volta à sacristia ou, na melhor d as hipóteses, ao templo...

Na sua opinião, qual o maior desafio para a Igreja e a teologia atualmente?

Recuperar as intuições e as preocupações mais fundamentais do Concílio e da TdL: A Igreja não existe para si mesma; deve ser sinal e instrumento de salvação e salvação das mais diferentes formas de opressão e dominação. Por isso mesmo, ela é e tem que ser sempre mais, na feliz expressão de João XXIII, a Igreja dos pobres e oprimidos como Ele, para que os pobres e oprimidos possam viver. Eles são, no Juiz e Senhor, juízes e senhores de nossas vidas, igrejas e teologias (Mt 25, 31-46)...

domingo, 2 de setembro de 2012

Simpósio Teológico - Encerramento

Segue abaixo o vídeo com o encerramento do nosso Simpósio Teológico "O que o Espírito diz às Igrejas?" - 50 anos de Vaticano II e 40 anos de Teologia da Libertação.
 
Carlo Tursi, emocionado, encerra o Simpósio. E Mercedes de Budallés nos propõe sairmos de nossos lugares. A vida pede dinâmicas, a vida pede o MOVIMENTO.
 
Agradecemos à todos e todas! Vamos em frente!
 
 
Jean dos Anjos

Edilson Barros no Movimento

Bom dia Povo de Deus!
 
Segue o vídeo com o cantor Edilson Barros, que abriu o nosso terceiro dia de Simpósio Teológico.
E quem tiver interesse em adquirir o CD do Edilson, "No Alpendre Lá de Casa", pode entrar em contato conosco.



Jean dos Anjos

sábado, 1 de setembro de 2012

Simpósio Teológico - Fotos (terceiro dia)

O sol foi o primeiro a chegar ao terceiro dia
do nosso Simpósio 
 
As mulheres chegam junto com o sol
 
Mulheres que se movimentam
 
A gente se movimenta com música também
 
Roberto Bezerra faz homenagem à
Gustavo Gutierrez
 
Edilson Barros tras a sua boa música ao nosso Simpósio
 
Carlo cita o Cardeal Martini, que faleceu no dia 31/08/12
 
Tem alegria no Simpósio? Tem.
 
As Calvarianas cochicham sobre
o Simpósio
 
Professor Lucho prestigia o Simpósio
 
O inspirado Professor Aquino Junior nos presenteou
com uma lúcida palestra
 
O Simpósio aconteceu no Centro de Pastoral
Maria Mãe da Igreja 

Pe. Almir Magalhães, que prestigiou o
Simpósio Teológico
 
O Movimento anda de mãos dadas com as CEBs
 
Intervenções no terceiro dia de Simpósio
 
O nosso Movimento acredita na LIBERDADE!
 
O nosso Movimento é feito com gente que
acredita na LIBERDADE!
 
 


Teologia da Libertação e Libertação da Teologia

Foto by Jean dos Anjos
 
Teologia da Libertação e Libertação da Teologia
Há exatos 40 anos o teólogo peruano Gustavo Gutierrez publicava o livro “Teologia de laLiberación”, célebre obra cujo título seria usado, nas décadas a seguir, para designar toda uma corrente de pensamento teológico latino-americano que despertou atenção e interesse no mundo inteiro. Lembro-me de ter estudado a tradução alemã (Theologie der Befreiung) durante os meus anos de seminário em Frankfurt, em 1984/85. O que havia de tão novo e atraente nesse modo de fazer Teologia?
Para compreender, um pouco de história. O Concílio Vaticano II (1962-1965) dera o ponto-a-pé inicial: havia produzido constituições e declarações que libertavam a Igreja Católica da situação de encastelamento e da atitude de desconfiança frente ao mundo moderno em que Pio XII (1939-1958) a mantivera. Aggiornamento – a “hodiernização” da Igreja pregada por João XXIII – tornara-se a palavra da hora. Ao invés de perpetuar a postura condenatória frente às doutrinas modernas consideradas nocivas à Fé, a Igreja procurava mostrar ao mundo, agora, um rosto mais compreensivo e “materno”, oferecendo-se até como parceira e companheira dos anseios e das lutas legítimas de homens e mulheres a caminho de sua progressiva humanização.
Esta reviravolta no relacionamento entre Igreja e mundo causou profundo impacto no episcopado latino-americano, como haveria de ficar evidente na 2ª Conferência do CELAM, em Medellín (1968). Bispos e assessores teológicos descobriam, então, que as“alegrias e tristezas, as esperanças e as angústiasdos homens de hoje”(GS) com as quais a Igreja havia prometido solidarizar-se eram representadas, na realidade da América Latina, pelos inúmeros pobres e miseráveis em busca dedignidade e de melhores condições de vida, bem como por aqueles cristãos e não-cristãos que lado a lado lutavam pela defesa dos direitos humanos, tornando-se assim alvos das ditaduras militares no continente. Foi nesse clima dramático e, ao mesmo tempo, esperançoso que nasceu a “opção pelos pobres” enquanto atitude pastoral prioritária e gesto profético da Igreja de Cristoem uma sociedade marcada por gritante desigualdade social, repressão e descaso político.
O fruto mais precioso desta opção foi um até então inédito processo de aproximação e inserção da vida religiosa nos meios pobres no campo e na cidade, de engajamento nos movimentos sociais e – não menos importante – de mergulho na religiosidade popular. Teólogos e teólogas de notória intelectualidade se dividiam entre o ensino catedrático e assessorias gratuitas para grandes encontros das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), em todo o Brasil. “Teologia da Libertação” queriadizer, em primeiro lugar: acompanhar teologicamente, i.e. através de uma reflexão ordenada à luz da fé, os passos de libertação e emancipação humana que segmentos do povo cristão já empreendiam, em parceria com outros agentes sociais mais secularizados. Portanto, um fazer teológico por sobre práticas já existentes de libertação. A tarefa da Teologia nesse acompanhamento era antes de tudo espiritual: ajudar o povo a descobrir o quanto o Deus da Bíblia e da tradição cristã é solidário com seus esforços por uma vida mais digna, fraterna e justa, preveni-lo contra desvios e reducionismos ideológicos, muni-lo de uma esperança cristã inquebrantável. O enriquecimento espiritual haveria de se mostrar recíproco: na inserção popular se evangelizava – e se era evangelizado!
Ao longo do tempo, porém, foi ficando mais claro que a Teologia da Libertação teria de ser também uma teologia que liberta: uma forma de refletir acerca dos dados da revelação cristã que esclareça as mentes (e não as mantenha alheias à realidade), que promova a franqueza e o destemor dos fiéis (e não a obediência bajuladora), que reconcilie Fé e Razão, Bíblia e Ciência, Transcendência e Imanência (e não prolongue a dicotomia entre o que se crê e o que se sabe). Já nos anos 70, o jesuíta uruguaio Juan Luís Segundo publicou um livro de grande impacto, intitulado Libertação da Teologia.Percebeu-se que a articulação das “verdades da Fé” nos moldes tradicionais, a qual utiliza uma linguagem obsoleta e se assenta sobre a concepção pré-moderna de um teísmo intervencionista ingênuo, não poderia corresponder ao nível de consciência crítica de cristãos e cristãs que hoje militam nas realidades seculares, nem satisfazer a sua fome por um alimento espiritual mais sólido. Caso a Igreja não queira abandonar esses seus fiéis mais dedicados, precisará então repensar métodoe conteúdo da tão badalada “nova evangelização”.
Não seriam as grandes intuições do Concílio Vaticano II e da Teologia da Libertação ainda oportunas, até necessárias para os cristãos de hoje? O Movimento por uma Formação Cristã Libertadora (MFCL) concita,com o seu Simpósio Teológico, a todos os interessados ao debate.
Carlo Tursi é teólogo católico, membro da Coordenação Arquidiocesana das CEBs e do Movimento da Formação Cristã Libertadora, além de fazer parte de O GRUPO


Simpósio Teológico - Fotos (segundo dia)

A lua novamente nos prestigia
 
Construindo um Movimento
 
Mulheres que dizem sim
 
Afina o violão e a canção
 
O Simpósio também é lugar de
grandes encontros
 
Ivone Gebara é homenageada no
Simpósio.
 
Escuta a palavra com entusiasmo!
 
Mercedes de Budallés e Fátima Moura
 
Centro de Pastoral
 
Intervenções
 
Dom Edmilson da Cruz pede a palavra
 
Maria Luiza Fontenele fala da luta
das mulheres no Simpósio
 
Carlo Tursi tem a palavra
 
Movimento se faz com gente!