O Movimento por uma Formação Cristã Libertadora surgiu em razão da insatisfação, compartilhada entre estudantes e docentes de teologia, catequistas e lideranças comunitárias, acerca do tipo de formação teológica catequética que se oferece ao Povo de Deus na Igreja de Fortaleza. O Movimento busca uma instrução Cristã Libertadora, engajada e solidária com os pobres.
domingo, 27 de outubro de 2013
Violência, Sociedade e Religião: breve diagnóstico de nosso enfermo e efêmero presente
Fran Alavina
“(...) violência dos oprimidos ou dos opressores?”. (Dom Helder Câmara).
Na Babel consumada que é o mundo hoje, no qual a comunicação parece infinita, embora poucos se compreendam, uma palavra, que está na ordem do dia, aparentemente realiza certo consenso entre os beligerantes das certezas fáceis, entre os consumidores da infindável tagarelice cotidiana. Promovida, em particular, pelas mais diversas mídias. Tal palavra consensual é o termo violência: em suas diversas formas, usos e desusos. No âmbito do termo violência, repetido de modo torturante em nosso cotidiano, se esconde e se disfarça, mas também se desvelam as estruturas degenerescentes de nosso presente, existentes nas mais diferentes esferas do mundo da vida. Assim, a repetição desenfreada do termo violência revela, talvez, uma das faces da mais atroz patologia coletiva, gestada em uma sociedade que nem ao menos podemos definir de modo unívoco: pós-moderna, hipermodernidade, supermodernidade, modernidade tardia, sociedade do espetáculo, sociedade transparente, idade neobarroca, realidade líquida, cultura do efêmero e do descartável?
São tantas e díspares as tentativas de definição do nosso modo de ser social no presente, que a face de nossa sociedade é definida justamente pela falta de uma: que seja precisa, distinguível e acabada. É como se ante o espelho, houvesse uma imagem, mas de tal modo múltipla e fugidia, que nenhum traço de constância é identificado, fixado, retido. Ora, a falta de uma face definida não seria uma marca da violência difusa da nossa atualidade, uma vez que a falta de uma face definida pode ser, também, um rosto desfigurado? Faz-se, assim, necessário não olvidar, o traço comum às diferentes definições do nosso estado presente. O modo de ser, sentir, pensar e agir: em suma, a capacidade criadora de sentido social, outrora enraizada em solo firme, na atualidade cedeu lugar aos deslocamentos. Desse modo, prevalece o enfraquecimento das determinações espaciais e temporais, na realização de sentido social e na manutenção dos liames coletivos.
Não tendo um lugar fixo e determinado, as formas existenciais da atualidade operam no registro da liquidez e do efêmero. A construção da identidade pessoal cede lugar ao narcisismo, os lugares aos não lugares, o público ao privado, o sentir autêntico
ao já sentido, o natural ao artificial, o popular à massificação e uniformização, que tem por modelo o homem médio e consumista. Ou seja, no estado presente, os indivíduos se igualam na identificação dos mesmos desejos de consumo. Somos semelhantes, posto que capazes de fruir e apetecer com as mesmas marcas, vestir os mesmos looks, viajar para os mesmos lugares, esbanjar os mesmos bens, que embora ostentados com orgulho e diletantismo, são supérfluos. Bens e objetos feitos para saciar um desejo curto em sua durabilidade, mas quase infinito em sua capacidade de desejar sempre mais do mesmo. Ora, tal relação estabelecida entre os indivíduos, na atualidade, e a realização de seus desejos não é também uma forma de violência? O desejo e a satisfação de nossas necessidades afetivas, na forma como são exercidas no presente, não configuram um desejo violentado, uma violência contra o próprio desejo? Esta não seria uma violência que se faz de modo cínico-sádico, pois sabida e reconhecidamente atroz? Não seriam frutos da insatisfação e não adequação ao modelo de homem consumista, as novas formas de delinquência e violência, que afligem, em particular, a cultura juvenil? Ainda é possível indagar: as novas formas de religiosidade estetizadas, o fascínio quase ingênuo da classe média pelas religiões orientais, não seriam consequências da união entre consumismo e desejo violentado, uma vez que a Religião se configura, também, como desejo do transcendente? Também a Religião, se transformou em objeto de consumo? Se sim, qual será o seu futuro como esfera que se rendeu à violência exercida contra a potência do desejar?
Tais indagações, e outras que poderiam ser feitas com base na relação entre consumismo, desejo e violência apontam que a violência difusa na atualidade explicita-se na passagem do homo sapiens sapiens ao homo consumens. Daquele que sabe que sabe, ao que consome o próprio consumo. Ora, nessa passagem que está na base de quase todas as violências de hoje, que lugar ocupa o homo religiosus?
As questões, até aqui expostas, indicam a existência de diversas formas de violência, porém a repetição de certo discurso sobre o violentar parece apagar a diversidade das formas: unificando as mais diferentes opiniões, teorias e classes sociais. Tal discurso ocupa lugar de destaque, quer em famigerados programas de tv, quer no espaço acadêmico. Sobre a violência todos parecem possuem uma opinião clara, definida e semelhante. Portanto, parece haver um consenso sobre o que é a violência, e quais os remédios para sua erradicação. Todavia tal consenso é apenas aparente, pois reducionista e unilateral. Repete-se e fala-se insistentemente sobre apenas uma forma de
violência: aquela dos furtos, assaltos, e outros crimes classificados pelo Código Penal. Cumpre, porém, não esquecer que na sociedade da violência difusa, atos violentos não são apenas os crimes classificados pela lei penal. Difundida a violência, os atos violentos estão nos lugares mais recônditos e aparentemente mais seguros, como por exemplo, nossa subjetividade e vivência íntima. Como bem demonstram os últimos estudos sobre a “loucura”, nunca se produziu tantas patologias psíquicas, quanto na atualidade. Frutos de uma violência exercida diretamente contra a construção de nossa própria intimidade.
As novas patologias psíquicas, gestadas pela violência difusa, não estão separadas da banalização do sofrimento alheio, da exposição pública desmedida, e não consentida, da dor dos outros. Sob o efeito do discurso unilateral das mídias em relação à violência, agora, estamos como que imersos em uma peça de terror. Na qual os espectadores, sob o peso de extremos efeitos catárticos, assistem espantados e maravilhados as mais atrozes ações humanas. No entanto, não se trata de uma fabulação, de uma mera ficção, porém de uma catarse oferecida pela conversão da realidade em espetáculo. Tão forte é o efeito dessa “catarse do real”, que ante obras de arte terrificantes, se experimenta, apenas, um pálido terror maravilhado. Trata-se de um choque midiático entre os sujeitos e o real, no qual a estetização difusa, a violência difusa, e o poder da mídia se unem em torno de um elemento comum: a redução da violência a apenas uma de suas muitas formas.
Talvez o exemplo mais loquaz dessa união tenha sido os atentados de 11 de setembro, e hoje a ação dos “midiáticos” membros do black bloc. Mesmo com os rostos escondidos, sem face definida, a visibilidade conseguida por meio da dissolução da diferença entre ação política, ato estético (uma vez que se trata de ataques a bens-símbolos) e amplitude midiática, pode revelar-se paradoxalmente vitoriosa e vencida. Pois o modus operandi, ao mesmo tempo em que realiza cum laude a finalidade almejada, também pode ser passível de homologação como prática e estilística revolucionária. Não se deve esquecer que aqueles rebeldes “bem intencionados” do ocupe wall street, facilmente foram homologados, e ao final se transformaram em atração turística, quase que um bem de consumo simbólico, desses que se espera encontrar e desfrutar quando se viaja para países que se tornaram moda. Destinação cruel, esta das nossas ações e intervenções críticas de hoje, que facilmente podem ser inseridas na ordem prevalente; atroz ordem, esta que transforma tudo em seu contrário:
a crítica em adequação, a rebeldia em consentimento, a criação em repetição, o outro no mesmo.
Assim, a banalização de apenas uma das formas de violência, comporta em seu bojo, a violência midiática. Essa é o torturante modo como somos sufocados por um discurso do pânico, que ao tratar da violência, emprega violência igual, ou até maior, ao que se exibe ou é noticiado. Dessa forma, a mídia ao tratar da violência, o faz de modo assumidamente violento. Mas não poderia ser diferente, uma vez que se concebe a violência de forma unilateral e reducionista. Tal concepção já é em si mesma violenta: quase que uma violência contra a própria violência, acabando por aumentar a potência do violentar. Estranho modo esse, o de tentar suprimir a violência, ampliando os violentos. Nada estranho, pois em uma sociedade de estruturas degenerescentes, os meios propostos para erradicação de algo são sempre patológicos e esquizofrênicos. Nesse caso, a esquizofrenia está em tentar erradicar os efeitos e não as causas. Como banir a violência, se as estruturas da organização social são violentas ao extremo? Como uma sociedade pode erradicar a violência, se seu princípio e modo de atuação demandam a existência de uma violência sutil, universal, praticada de modo silencioso, porém bastante eficaz. Dar sempre maior voz à violência, em apenas uma de suas formas, é calar aquela forma mais eficaz e eloquente.
Ao demonizar apenas os efeitos da violência criada por ela mesma, a sociedade procura se purgar, sem deixar, contudo, de praticar aquilo que a torna culpada. Como pecadora persistente e cínica, que sempre confessa o mesmo pecado e se penitencia, mas só para voltar a fazê-lo novamente, entrando em um estado cíclico de cinismo confesso, a sociedade se diz vítima daquilo que ela mesma produz, e que não procura deixar de produzir. Trata-se da crescente desigualdade. Todavia não apenas econômica, mas também social, cultural, religiosa, sexual e étnica, entre tantas outras. Ora, de uma sociedade desigual e padecendo de graves enfermidades, não se pode esperar senão a violência. Que não será exterminada com paliativos, pois estes para quem está em estado convalescente não terá efeito algum. É necessário repensar e refazer nosso ser social no presente, em suas estruturas mais determinantes. Do contrário se continuará a cair na falácia das fácies condenações dos efeitos, em detrimento do banimento das causas. Por fim, tal questão urgente e laboriosa, deve sempre levar em consideração que: “A sociedade por um lado refreia certas formas de violência, mas desencadeia outras”. (Paolo Rossi, Esperanças).
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
"A VIOLÊNCIA E O SAGRADO"
Iniciará na próxima quinta-feira (03/10) o curso livre
"A VIOLÊNCIA E O SAGRADO" - Uma Introdução ao pensamento de René Girard.
Trata-se de análises antropológicas acerca de como a violência surge e se propaga nas diversas culturas humanas e como tem sido a forma (sempre frustrada) da civilização lidar com o problema. Aprenderemos acerca da estrutura mimética do comportamento humano, das crises sacrificiais que desencadeiam a espiral da violência, da convergência das vontades violentas em torno de uma vítima predileta - o bode expiatório - declarado culpado e depois cultuado...
e sobre a superioridade do Evangelho cristão diante dos relatos mitológicos antigos, no que se refere à sobriedade e franqueza com que descreve o processo de vitimação socialmente "pacificadora".
Onde: na sede do Movimento Familiar Cristão (Rua Pinto Madeira 801, perto da igreja Cristo-Rei)
Horário: 19:00 - 21:00 h, todas as quintas
Mensalidade: R$ 50,- (sem taxa de matrícula)
Inscrições no local.
Telefone de contato: 3263-2730
Espero vocês.
Carlo Tursi
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
MAIS MÉDICOS
Nas últimas semanas temos lido, ouvido e visto comentários e reportagens a respeito do programa do governo federal “Mais Médicos”.
Antes de tudo, quero ressaltar que é mais do que claro que os médicos e outros profissionais na área da saúde em questão hão de corresponder às exigências vigentes em nosso país quanto ao exercício da medicina.
Embora muitos aspectos deste assunto complexo e espinhoso já tenham sido debatidos por pessoas mais qualificadas do que eu, gostaria de colocar algumas observações, pouco abordadas, mas que me parecem ser relevantes.
Críticas ao governo federal atual
É notória a enorme problemática na área da saúde pública em nosso país: faltam hospitais, leitos, postos médicos, prontos socorros, ambulâncias, médicos, técnicos em enfermagem, materiais essenciais e básicos até para pequenas cirurgias, e etc. . Investimentos pesados por parte do governo federal não têm resolvido, muitas vezes, os problemas, seja por excesso de burocracia, ou, pior, por incompetência administrativa e desvio de verbas. Claro que o governo federal atual não pode se eximir de suas responsabilidades, porém também governos estaduais e municipais não podem ser isentos quanto à culpabilidade em relação aos intermináveis problemas que o povo tem de enfrentar, diariamente, para conseguir algum atendimento médico. Da mesma forma, os governos federais do passado recente e longuínquo não deram a devida e necessária atenção à saúde pública, causando o caos que enfrentamos hoje. Ou seja, o descaso, além de vergonhoso, vem de longa data, é histórico.
Faltam médicos na periferia e no interior! Mas, será que faltam médicos mesmo?
Embora não tenha à mão dados acerca de quantos médicos há no nosso país para cada mil brasileiros, quero fazer uma pergunta: será que faltam médicos mesmo? Permitam-me fazer algumas comparações. Não falta dinheiro no Brasil, mas há uma injusta concentração do PIB, da riqueza nas mãos de poucos. Não falta terra no nosso país, mas vivemos, desde 1500, com uma vergonhosa distribuição desigual da terra; não faltam padres, e muito menos religiosas no nosso país, mas vemos como a presença dos mesmos se concentra
em apenas algumas áreas e poucas obras, seja nas cidades, seja nos nossos imensos interiores. Creio poder constatar esse mesmo fenômeno na área da saúde pública. Ao menos na nossa cidade de Fortaleza é impressionante a concentração de consultórios médicos numa área bem restrita, enquanto bairros periféricos, habitados por uma população de baixo poder aquisitivo, continuam sem cobertura, minimamente necessária quanto à assistência médica. Pergunto, portanto: - por quanto tempo ainda vamos aceitar esta má distribuição dos recursos nacionais, abrindo cada vez mais o abismo entre os poucos ricos e os muitos pobres? - por quanto tempo ainda vamos assistir a má distribuição da terra em nosso país, causando conflitos e derramamento de sangue de pessoas que buscam sobreviver? - embora haja exceções, perguntamos: quando a Igreja vai olhar o povo da periferia, inserindo-se em sua vida, não através de documentos belos e “profundos”, pregações emocionantes e celebrações alienantes, e sim através de uma verdadeira partilha de vida? – mesmo que haja felizes, porém poucas exceções, a partir de quando vamos poder contar com mais médicos que se coloquem à disposição para trabalhar com e em favor daquela parcela do povo que pena?
Precisamos ouvir, acima de tudo, o povo que está na fila de espera.
Lemos, ouvimos e vimos muitos comentários a respeito do projeto “Mais médicos”. Opinaram políticos, gestores, médicos, peritos de diversas áreas,formadores de opinião, etc. Muito bem. É preciso ressaltar que é mais do que claro que estes médicos hão de corresponder às exigências vigentes em nosso país quanto à prática da medicina. Porém, não lembro ter lido, ouvido ou visto reportagens acerca desta questão, feitas com aquela gente que sofre, diariamente, as consequências da falta de médicos. Não foi pedida a opinião do povo que se encontra, desde as três horas da madrugada, na calçada do Posto Médico, esperando tirar uma ficha, que dá direito de ser atendido após mais um mês de espera. Qual é a opinião daquelas pessoas? Por certo vão querer algum médico, sendo formado no Brasil ou fora dele, sendo espanhol, português, cubano, ou argentino. Será que não estão ávidos por uma boa consulta, mesmo sendo feita com sotaque estrangeiro?
Um dia desses vi uma foto de um amigo meu, abraçado com uma médica cubana, recém-chegada.
Gostei.
É por aí!
Fortaleza, 25-09-2013,]
Geraldo Frencken
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
PAULO FREIRE E 50 ANOS DE ANGICOS
Angicos é uma pequenina cidade no interior do Rio Grande do Norte. Há 50 anos, portanto em 1963, o pedagogo e educador Paulo Freire alfabetizou 300 cortadores de cana em apenas 45 dias naquela cidade pobre. João Goulart, presidente na época, chamou Paulo Freire para organizar uma ‘Campanha Nacional de Alfabetização’, que tinha como objetivo alfabetizar dois milhões de pessoas e já contava com a participação da comunidade.
Mas, com o golpe militar de março de 1964, isto é, com a ditadura que esmagou a liberdade no Brasil por mais de dois decênios, toda essa mobilização social foi reprimida, Paulo Freire foi considerado subversivo, preso e depois exilado. Assim, esse projeto foi abortado.
Porque? Por motivos óbvios. Paulo Freire pretendia despertar o ser político que deve ser sujeito de direito. Um exemplo. A palavra ‘tijolo’ fez parte do universo vocabular trabalhado em Angicos.
Era uma palavra que fazia parte do cotidiano das pessoas que participaram da experiência de Angicos. Mas aquela alfabetização não consistia em somente ensinar a escrever a palavra ‘tijolo’. Fazia-se todo um trabalho a partir daquela palavra, colocando-a no seu amplo sentido social, econômico e político. A partir da palavra ‘tijolo’ eram levantados questionamentos, como: você trabalha na construção de casas, mas você tem uma casa própria? Por que não a tem? Etc. Quer dizer, tratava-se de uma alfabetização que levava as pessoas a pensarem nessas questões, fazendo delas cidadãos e cidadãs participativos na sociedade.
Com outras palavras: Paulo Freire não queria alfabetizar as pessoas somente para aprenderem a ler e escrever, e basta. Ele desenvolveu sua filosofia e a consequente método de alfabetização, para que as pessoas redescobrissem sua capacidade de pensar e, desta forma, se conscientizassem acerca de sua vida, sabendo-se sujeitos de sua própria história, ou seja, construtores da dignidade de sua vida.
Paulo Freire sabia, e hoje nós sabemos através dele, que este processo somente dará resultado, se cultura, costumes, a vida em geral das pessoas sejam respeitados, e mais ainda, se a relação entre ‘professor’ e ‘aluno’ não seja uma de superior para inferior: é preciso saber escutar o que o outro tem a dizer, porque todos temos experiências de vida, entendimentos sobre a vida que têm valor e podem ajudar a outros aprenderem a viver mais e melhor.
Todos somos aprendizes. Com outras palavras, filosofia e método de Paulo Freire nos ensinam, entre outras aprendizagens, como construirmos relacionamentos humanos entre nós, implantando um mundo melhor. E esse processo há de se realizar em comunidade.
Interessante observar é como naquele tempo a Igreja estava profundamente Interessante observar é como naquele tempo a Igreja estava profundamente envolvida nesses trabalhos que visavam verdadeira promoção humana. Dom José Vicente Távora, arcebispo de Aracajú, por exemplo, muito se empenhou na divulgação e aplicação do método e filosofia de Paulo Freire, vendo neles um caminho aberto para a construção de “vida em abundância” do povo, em especial dos mais pobres.
Mais tarde, Dom Helder Camara, que dizia que “O povo do Nordeste é pobre, mas sabe pensar!”, dedicava toda uma vida à formação do povo, a fim de que este fosse respeitado e estimulado ele mesmo fazer parte do processo de humanização da vida. Aqui, em Fortaleza, mencionamos Dom Aloísio Lorscheider, que em seu pastoreio preocupava com esta maneira da Igreja ser: uma Igreja não tanto preocupada com estruturas, ritos e regras e sim com as pessoas, concretizando nelas e por elas o Reino de Deus, reino de justiça, paz e amor.
Faltam só duas perguntas básicas:
Será que aqueles que hoje se colocaram na frente da educação no nosso município e estado poderiam aprender alguma coisa de Paulo Freire? Caso sim, vão ter que aprender a escutar o povo e revestir-se de um pouco de humildade. Aí complicou!
Será que a nossa Igreja poderá retomar os caminhos nos ensinados por Dom José Vicente, Dom Helder, Dom Aloísio e tantos outros, reassumindo seu papel profético de promover, no mais amplo sentido da palavra, o ser humano, de denunciar todas as formas de violação de vida humana, anunciando o amor de Deus por nós, testemunhando a simplicidade evangélica na prática da vida? Salve engano, Papa Francisco está sonhando com isso.
O homem de Nazaré também!
Fortaleza, 18-09-2013,
Geraldo Frencken
terça-feira, 10 de setembro de 2013
11 de SETEMBRO..... “SINFONIA DOS DOIS MUNDOS”,
11 DE SETEMBRO
Quem não se lembra desta data?
Lamentamos e choramos, mas torna-se necessário refletirmos acerca de algumas questões, a fim de ampliarmos nossos horizontes, na busca de respostas.
> 11 de setembro de 1973: Golpe de Estado no Chile
Que resulta na morte do presidente Allende.
Mas ..... tendo chorado, naqueles dias, a instalação da ditadura militar no Chile, como em outros países latino-americanos, é preciso lembrar, hoje, que continuamos a viver numa sociedade que vive na ditadura da corrupção, da miséria, da falta de assistência aos pobres no que é essencial à vida, para não falar da maior de todas as ditaduras: 815 milhões de pessoas, em todo o planeta, são vítimas da crónica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento, e a cada 3 segundos e meio morre uma pessoa no mundo de fome!
Que “DEMOCRACIA MUNDIAL” é essa?
> 11 de setembro de 2001: ataque às “Torres Gêmeas” em Nova York.
Mas ..... derramando lágrimas, naquelas dias, sobre as mortes daquele ataque covarde contra a vida de inocentes, sabemos, neste momento, que americanos e seus aliados planejam jogar bombas covardes contra a Síria, que também matarão inocentes, gente que também sonha com um futuro melhor.
Que “PAZ” é essa?
> 11 de setembro de 2008: massacre de agricultores em Bolívia,
Sob as ordens de fazendeiros, coronéis e empresários.
Lembrando fato horroroso como este, um pouco distante de nós, em tempo e espaço, porém sabemos que vivemos num país no qual, só em 2012, 36 camponeses foram assassinados, além das 77 tentativas de assassinatos no meio rural.
Que “PROGRESSO” é esse?
Por certo, há gente que dirá: “Uma coisa não tem nada a ver com a outra!”. Mas, será possível ver e entender os fatos sem interligá-los uns com os outros? Consideramos, no entanto, que aspectos da vida são indivisíveis, inseparáveis e sempre interligados.
Dom Helder nos dá uma mão – mais uma vez – quando nos coloca, na “SINFONIA DOS DOIS MUNDOS”, diante da seguinte pergunta: “Quem vai ganhar?”
QUEM VAI GANHAR?
Tu sabes muito bem, homem, meu irmão,
que és suficientemente fraco para fazer deflagrar a 3.ª e última Guerra Mundial,
com o tristíssimo poder de suprimir a vida na face das terra
e que tu és suficientemente forte para suprimir da terra
a miséria e, sobretudo, a dominação.
À primeira vista, parece que o ódio se apodera da Terra .....
Depois da 2.ª Guerra Mundial, quantas guerras locais rebentaram!
E como se multiplicam os países que fabricam armas,
e, na corrida armamentista, como as armas se tornam sempre mais
sofisticadas, caras e esmagadoras!
Países que não tem o essencial para seu povo,
que não hesitam em endividar-se, de maneira insolvável,
para salvar a deusa deles: : a Segurança Nacional.
Um pouco por toda parte “na margem direita e na margem esquerda”,
há sequestros, torturas, trucidamentos,
pessoas que desaparecem para sempre, exilados, refugiados ....
E, no fundo deste terror e da insegurança
uma sociedade de desperdício ..... .
QUEM REVOLVERÁ AS PESADAS ESTRUTURAS
QUE ESMAGAM AOS MILHÕES OS FILHOS DE DEUS?
Quem revolverá as pesadíssimas estruturas
Que chegam a matar mais do que as guerras mais sangrentas?
Quem revolverá as pesadas estruturas que esmagam os filhos de Deus?
QUEM VAI GANHAR, O FRACO OU O FORTE? QUEM VAI GANHAR?
Conheço bem os dois, pois o fraco sou eu.
E o meu triste poder de assassinar a terra, provocando uma guerra,
a derradeira guerra perdendo a vida, dom do Criador e Pai. Quem vai ganhar?
Conheço bem os dois, também sou eu o forte.
Podia suprimir dos dois lados do Mundo, dominação e fome e cólera que ronda
E lutando por um Mundo mais justo e mais humano. Quem vai ganhar?
Contempla a tua frente este rio de ódio que sobe da planície e te afogará.
Contempla ao teu redor o mundo que corre às armas.
É o derradeiro alarme e tu não entendes nada.
Por uma Segurança que se diz Nacional,
quantos povos esmagados por botas pesadas.
Em nome da humanidade se exila, tortura
sob o peso das estruturas sucumbes, liberdade!
Contempla ao teu redor. Tirania, desperdício!
Seria esta herança que tu lhes deixarás!
Contempla ao teu redor a miséria e o ódio,
Condições sub-humanas, quem delas te livrará?
Fortaleza, 09-09-2013,
Geraldo Frencken
Quem não se lembra desta data?
Lamentamos e choramos, mas torna-se necessário refletirmos acerca de algumas questões, a fim de ampliarmos nossos horizontes, na busca de respostas.
> 11 de setembro de 1973: Golpe de Estado no Chile
Que resulta na morte do presidente Allende.
Mas ..... tendo chorado, naqueles dias, a instalação da ditadura militar no Chile, como em outros países latino-americanos, é preciso lembrar, hoje, que continuamos a viver numa sociedade que vive na ditadura da corrupção, da miséria, da falta de assistência aos pobres no que é essencial à vida, para não falar da maior de todas as ditaduras: 815 milhões de pessoas, em todo o planeta, são vítimas da crónica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento, e a cada 3 segundos e meio morre uma pessoa no mundo de fome!
Que “DEMOCRACIA MUNDIAL” é essa?
> 11 de setembro de 2001: ataque às “Torres Gêmeas” em Nova York.
Mas ..... derramando lágrimas, naquelas dias, sobre as mortes daquele ataque covarde contra a vida de inocentes, sabemos, neste momento, que americanos e seus aliados planejam jogar bombas covardes contra a Síria, que também matarão inocentes, gente que também sonha com um futuro melhor.
Que “PAZ” é essa?
> 11 de setembro de 2008: massacre de agricultores em Bolívia,
Sob as ordens de fazendeiros, coronéis e empresários.
Lembrando fato horroroso como este, um pouco distante de nós, em tempo e espaço, porém sabemos que vivemos num país no qual, só em 2012, 36 camponeses foram assassinados, além das 77 tentativas de assassinatos no meio rural.
Que “PROGRESSO” é esse?
Por certo, há gente que dirá: “Uma coisa não tem nada a ver com a outra!”. Mas, será possível ver e entender os fatos sem interligá-los uns com os outros? Consideramos, no entanto, que aspectos da vida são indivisíveis, inseparáveis e sempre interligados.
Dom Helder nos dá uma mão – mais uma vez – quando nos coloca, na “SINFONIA DOS DOIS MUNDOS”, diante da seguinte pergunta: “Quem vai ganhar?”
QUEM VAI GANHAR?
Tu sabes muito bem, homem, meu irmão,
que és suficientemente fraco para fazer deflagrar a 3.ª e última Guerra Mundial,
com o tristíssimo poder de suprimir a vida na face das terra
e que tu és suficientemente forte para suprimir da terra
a miséria e, sobretudo, a dominação.
À primeira vista, parece que o ódio se apodera da Terra .....
Depois da 2.ª Guerra Mundial, quantas guerras locais rebentaram!
E como se multiplicam os países que fabricam armas,
e, na corrida armamentista, como as armas se tornam sempre mais
sofisticadas, caras e esmagadoras!
Países que não tem o essencial para seu povo,
que não hesitam em endividar-se, de maneira insolvável,
para salvar a deusa deles: : a Segurança Nacional.
Um pouco por toda parte “na margem direita e na margem esquerda”,
há sequestros, torturas, trucidamentos,
pessoas que desaparecem para sempre, exilados, refugiados ....
E, no fundo deste terror e da insegurança
uma sociedade de desperdício ..... .
QUEM REVOLVERÁ AS PESADAS ESTRUTURAS
QUE ESMAGAM AOS MILHÕES OS FILHOS DE DEUS?
Quem revolverá as pesadíssimas estruturas
Que chegam a matar mais do que as guerras mais sangrentas?
Quem revolverá as pesadas estruturas que esmagam os filhos de Deus?
QUEM VAI GANHAR, O FRACO OU O FORTE? QUEM VAI GANHAR?
Conheço bem os dois, pois o fraco sou eu.
E o meu triste poder de assassinar a terra, provocando uma guerra,
a derradeira guerra perdendo a vida, dom do Criador e Pai. Quem vai ganhar?
Conheço bem os dois, também sou eu o forte.
Podia suprimir dos dois lados do Mundo, dominação e fome e cólera que ronda
E lutando por um Mundo mais justo e mais humano. Quem vai ganhar?
Contempla a tua frente este rio de ódio que sobe da planície e te afogará.
Contempla ao teu redor o mundo que corre às armas.
É o derradeiro alarme e tu não entendes nada.
Por uma Segurança que se diz Nacional,
quantos povos esmagados por botas pesadas.
Em nome da humanidade se exila, tortura
sob o peso das estruturas sucumbes, liberdade!
Contempla ao teu redor. Tirania, desperdício!
Seria esta herança que tu lhes deixarás!
Contempla ao teu redor a miséria e o ódio,
Condições sub-humanas, quem delas te livrará?
Fortaleza, 09-09-2013,
Geraldo Frencken
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
REGISTRO DO GRITO DOS EXCLUÍDOS
Sob as bênçãos do Cristo Redentor e da "proteção" da polícia
As fotos falam por si. (fotos: Geraldo - Claudete)
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